O que Moro tem a oferecer aos trabalhadores?

O que Moro tem a oferecer aos trabalhadores?

Candidato do establishment representa o aprofundamento da agenda que produziu miséria e desemprego

No último dia 10 de novembro, o ex-juiz da 13ª vara de Curitiba e ex-ministro de Jair Bolsonaro, Sérgio Moro, subiu definitivamente no palanque eleitoral ao se filiar ao Podemos e assumir a pré-candidatura à Presidência da República. Em um discurso de 42 minutos, Moro se apresentou como o candidato com todos os predicados do establishment, em uma versão Collor 2.0.

Moro, que outrora havia jurado não entrar para a disputa eleitoral, apresentou as bases de sua agenda econômica: a manutenção de tudo que está aí. Em uma fala ensaiada, pregou novas reformas liberais, o teto de gastos e mais privatizações. Em resumo, quer ser opção ao presidente Jair Bolsonaro apresentando um bolsonarismo sem Bolsonaro.

Em seu discurso nada empolgante, o ex-ministro de Bolsonaro mostrou que sua candidatura oferece aos trabalhadores aquilo que levou o país à mais brutal precarização do mercado de trabalho, à queda vertiginosa da renda do povo brasileiro, aos mais altos índices de desemprego e à miséria pandêmica que já deixa 130 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar.
O “posto Ipiranga” de Moro é o economista Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central no Governo Figueiredo – na verdade, ele está mais para o “posto Shell” do ex-juiz. Pastore ficou conhecido por uma gestão desastrosa que aprofundou ainda mais o cenário monetário do período, marcado pela hiperinflação. Mesmo que na prática tenha fracassado, Pastore é bem visto pelo mercado financeiro, que vai redobrar a aposta no neoliberalismo promovido por Paulo Guedes.

Consultor e um dos queridinhos do mercado, ele é defensor das reformas promovidas pelos últimos governos. Foi um dos maiores expoentes das mudanças na legislação trabalhista e previdenciária, além de ser um apoiador assíduo da reforma administrativa (PEC32/20), que ameaça os servidores e o serviço público brasileiro. Em suas intervenções, prega uma política de austeridade sem falar um “a” dos grandes problemas nacionais, como por exemplo a injusta tributação.

Ainda resta decifrar muito do que Moro propõe aos trabalhadores brasileiros. Qual o projeto de Moro para enfrentar a desindustrialização? Como ele vai enfrentar o desemprego? Qual a política de preços que Moro vai implantar na Petrobras? O que o ex-juiz pensa sobre educação? Qual a reforma tributária que Sérgio Moro defende? Como financiará a reconstrução nacional pós-pandemia? Qual a sua agenda ambiental?

Não é muito difícil de imaginar alguns posicionamentos do ex-ministro. A reunião ministerial de abril de 2020, divulgada pela imprensa, mostra um Moro muito confortável com o “passar a boiada” do ministro Ricardo Salles, com os ataques contra a democracia de Ernesto Araújo e com a visão que trata servidores como inimigos, destilada por Paulo Guedes.

Se hoje nosso país tem mais de 13 milhões de desempregados, Moro é sem dúvidas um dos grandes responsáveis. Ao transformar o justo e necessário combate à corrupção em um espetáculo cruel de destruição de reputações, o bonde da Lava Jato promoveu a mais nefasta destruição de empresas nacionais, e, consequentemente, desemprego em massa.

Combate à corrupção não é uma exclusividade do Brasil, mas só aqui um grupo messiânico teve poderes para destruir empresas centenárias e milhões de empregos. Os malfeitos empresariais em todo o mundo são tratados visando punir os autores dos crimes, mas protegendo os entes jurídicos – basta ver o exemplo da Nissan no Japão.

Segundo estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a Lava Jato custou 4,4 milhões de empregos formais e 3,6% do PIB brasileiro. Graças ao uso político da operação, o governo deixou de arrecadar quase R$ 70 bilhões em impostos, além de ter reduzido a massa salarial em R$ 85,8 bilhões. Esse não foi o custo do combate à corrupção, mas da espetacularização promovida por Moro, Deltan Dallagnol e a fracassada República de Curitiba.

O ex-juiz, que foi considerado suspeito pelo Supremo Tribunal Federal (STF), não poupou esforços para fazer as entregas que interessavam ao establishment brasileiro nem que para isso fosse necessário destruir reputações, falir empresas e implodir o emprego. Certamente não será diferente em um eventual governo patrocinado pelo sistema financeiro, a grande mídia e interesses internacionais.

Não podemos esquecer que o presidenciável do Podemos, que hoje tenta se afastar do bolsonarismo que ajudou a eleger, serviu como ministro da Justiça de Bolsonaro por um ano e quatro meses. Em total sintonia com esse desgoverno genocida e perverso, Moro tentou implementar o nefasto projeto do excludente de ilicitude, pelo qual policiais não poderiam ser punidos ao matar “sob violenta emoção”. Não é difícil imaginar, com base em todas as estatísticas de violência policial, quem seriam as principais vítimas: o povo pobre e negro das periferias. Ele ainda passou pano para as diversas denúncias de corrupção e do Gabinete do Ódio envolvendo Bolsonaro, a família presidencial e os seus colegas da Esplanada dos Ministérios.

Se não bastassem as suas contradições, pesa contra Moro a total inexperiência em um momento em que o Brasil precisará se resgatar como nação. O ex-juiz, durante o período em que comandou o Ministério da Justiça e Segurança Pública, mostrou incapacidade de articulação e uma rejeição generalizada da classe política, que ele ajudou a criminalizar com a espetacularização produzida pela Lava Jato.

Os trabalhadores querem um país que transforme as suas inúmeras desigualdades em oportunidades. Oportunidade de emprego, renda e educação dignas. A manutenção do que está aí vai na contramão do futuro que os brasileiros um dia sonharam e, hoje, nem sonham mais diante da tragédia vivida nas ruas do país.

Em 2022, o Brasil terá que fazer uma escolha. A escolha não deve ser resumida a uma disputa entre Luiz, Jair, Ciro, Sérgio ou João, mas sim entre modelos. Precisamos de alguém capaz de mudar o modelo econômico e de governança que infelicitaram o Brasil nas últimas duas décadas e meia. São 13 milhões de desempregados, 20 milhões de famintos, 67 milhões de pessoas negativadas e 40 milhões de trabalhadores escravos de uma precarização galopante. Moro não parece capaz de romper com esse ciclo e nem quer.

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