Falta de desenvolvedores de softwares: educação falha e pouco investimento

Falta de desenvolvedores de softwares no Brasil – Educação pouco eficaz, poucas (e pequenas) empresas de tecnologia, além de salários pouco atrativos, são entre as causas, segundo a mais recente pesquisa da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), o Brasil vai ter em breve um grave déficit de desenvolvedores de softwares. Para a Brasscom, empregos na área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), entre os quais os desenvolvedores de software, cresceram 14,4% em 2021.

Uma alta mais do que o dobro do quanto registrado em outros setores econômicos.

Até 2025, o Brasil pode enfrentar déficit anual de 159 mil desenvolvedores de software e serviços de tecnologia da informação (TI).

Isso em um cenário onde esse rápido crescimento da demanda chegará a 800 mil unidades.

Antonio Neto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo (SINDPD), destaca que a falta de investimento no setor também se reflete na capacidade da categoria em lutar por seus direitos.

Conheça as propostas de pré-campanha de Antonio Neto para o setor de TI

“É incompreensível que o setor mais importante da economia mundial e que apesar de todo descaso já representa 6,9% do PIB nacional tenha ficado quase dois anos com sua convenção coletiva judicializada. Precisamos colocar o o setor de TI no centro do debate se quisermos um Brasil competitivo em nível mundial e garantindo emprego digno e bons salários aos seus trabalhadores.” afirmou Neto.

Além de presidente do SINDPD, Antonio Neto é analista de sistemas e administrador, como servidor público, trabalhou nos setores de tecnologia da Fepasa, Prodesp e Sabesp. Conquistou a jornada de 40 horas de trabalho para a categoria de TI, construiu uma das melhores Convenções Coletivas do Brasil e garantiu 20% de aumento em janeiro deste ano, além da garantia de reposição da inflação até 2023. Foi um dos principais articuladores da desoneração da Folha de pagamentos para o setor de Tecnologia;

Oferta de mão de obra não acompanha a demanda

O problema é muito simples: a oferta de mão de obra não acompanha a demanda por parte do mercado, há muitos poucos desenvolvedores de software no Brasil em relação ao número necessário e boa parte desses poucos desenvolvedores de software formados no Brasil acabam preferindo trabalhar fora do país principalmente por causa da atração por salários elevados pagos em moedas mais fortes do que o real, como euro ou dólar.

É por isso que muitas empresas estão enfrentando um cenário comum: profissionais de TI que pedem demissão para ir trabalhar no exterior ou até para permanecer no Brasil, ganhando em divisa estrangeira.

Educação pouco eficaz

Mas antes mesmo da questão salarial existe um problema educacional. Além dos poucos profissionais formados todos os anos, existe um problema de baixa qualificação dos desenvolvedores de softwares que saem das faculdades brasileiras. As faculdades de tecnologia ou as escolas técnicas muitas vezes permanecem teóricas demais, não conseguindo preparar os alunos para as exigências do mercado.

Salários pouco atrativos

Com a pandemia, ficou claro que desenvolvedor de softwares é extremamente importante para as empresas. Por isso, os salários dos desenvolvedores começaram a subir no mundo inteiro. Muitos desenvolvedores brasileiros buscam empregos fora do Brasil por questões de experiência e salários, recebendo em euro ou dólar.

Desenvolvedores parados no tempo

Mas existe um outro fator também relevante e pouco discutido no mercado de trabalho: a falta de interesse dos desenvolvedores de softwares em se atualizar. Por ter mais demanda do que mão de obra disponível, muitos desenvolvedores simplesmente param no tempo. Isso também dificulta o cenário. Especialmente em um setor onde as atualizações não são apenas diárias, mas a cada hora.

Empresas gringas mais avançadas

As maiores empresas dos Estados Unidos ou da Europa são empresas de tecnologia, elas não somente são mais capitalizadas, mas também desenvolvem os projetos mais interessantes e entusiasmantes para os desenvolvedores.

No Brasil, nossas maiores empresas são produtoras de commodities. E isso obviamente tem um desfecho mais limitado para um profissional de TI. Mais uma razão para os desenvolvedores brasileiros preferirem trabalhar com empresas de fora.

com informações da revista EXAME e Brasscom

Foto: Reprodução

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